25 anos Itaú Cultural: em aliança com os rumos da produção brasileira

Desde a sua criação, em 1987, o Itaú Cultural entende e trata a cultura como uma ferramenta essencial para a construção da identidade do país e a promoção da cidadania. Para o instituto, as manifestações artísticas e as reflexões que elas produzem permitem entender com maior clareza quem somos, o mundo em que vivemos e como podemos transformá-lo. Ou seja, a cultura estimula o pensamento crítico, abre caminhos para o desenvolvimento dos indivíduos, estimula a inovação, alimenta a autoestima e fortalece o conjunto de valores que dão amalgama ao conjunto da sociedade e nos distinguem positivamente no cenário internacional.

Assim o Itaú Cultural desenvolve trabalhos perenes que reforçam sistematicamente o seu compromisso e sinergia com as artes nacionais. Com base nestas premissas, o Itaú Cultural atua para fortalecer a cultura brasileira em cinco frentes principais: Mapeamento, fomento e difusão de talentos nas mais diversas áreas de expressão; democratização do acesso a bens culturais em todo o país, organização, sistematização e difusão da história da arte brasileira, transferência de know how em gestão para equipamentos públicos culturais e articulação e reflexão sobre as cadeias produtivas da cultura no Brasil.

Nestas duas décadas e meia, o instituto construiu de forma pioneira bancos de dados informatizados. Só no catálogo de eventos, para citar um exemplo, atualmente registram-se mais de 40 mil exposições de artes visuais e espetáculos de teatro cadastrados. Juntas, as enciclopédias virtuais de Artes Visuais (com 5,430 mil verbetes), Teatro (quase 900), Literatura Brasileira (mais de 500) e Arte e Tecnologia (110) geram aproximadamente 6,956 mil verbetes – considerando em todos eles as traduções para o espanhol, francês e inglês. E elas serão incrementadas com o lançamento de Música, Cinema e Dança neste ano. Mais ainda: equipes formadas por especialistas em cada área alimentam e atualizam estes compêndios continuamente.

Entre exposições de artes visuais, espetáculos cênicos, shows musicais, mostras audiovisuais, seminários, apresentações literárias, palestras, cursos, oficinas para professores, o instituto concebeu e realizou, até agora, mais de 4,5 mil eventos constituindo um amplo repertório de apoio, construção e afirmação de políticas públicas para a cultura no país. Muitos deles, depois por outros estados brasileiros e pela América do Sul. Quem sai amplamente beneficiado, é o público. E os números comprovam: em toda a sua trajetória, somente em sua sede em São Paulo o Itaú Cultural já recebeu mais de 5.700 pessoas que disfrutaram da programação variada e gratuita que oferece. O instituto também publicou e publica livros, catálogos e vídeos – mais de 680 até hoje. Ao redor de 878 mil destes produtos já foram distribuídos por todo o Brasil, sempre gratuitamente em escolas públicas, pontos de cultura, bibliotecas municipais e estaduais, espaço culturais e também para pesquisadores e educadores.

Programas e produtos gerados pelo instituto são veiculados por mais de mil emissoras de rádio e televisão, entre canais educativos, universitários, comunitários e legislativos. Para dar uma ideia, em 2011 somente os trabalhos selecionados no programa Rumos foram divulgados por 34 tevês. Desde a sua idealização, há 15 anos, o Rumos vem incentivando a criação artística e cultural e a produção intelectual brasileira, apoiando a formação de talentos não consagrados e a realização e difusão de suas obras em todo o Brasil. É daí que sai a matéria-prima deste projeto, que tem como outra grande característica a continuidade (veja mais informações no texto dedicado ao tema e publicado neste mesmo espaço).

Compromisso e sinergia
Uma sinergia permeia os diversos núcleos que formam a matriz de busca e produção cultural do país, e integra o trabalho perene do instituto com programas como o Rumos. Um dos projetos mais recentes é um bom exemplo disso. Chama-se Ocupação, uma série de exposições idealizada para fomentar o diálogo da nova geração de artistas com os criadores que os influenciaram.

Do ano passado até hoje, já foram realizadas as “ocupações” de Nelson Leirner e Abraham Palatnik, em artes visuais; de Zé Celso, no teatro; Paulo Leminski, na literatura; Chico Science, música; Rogério Sganzerla, cinema; Regina Silveira, também em artes visuais; Haroldo de Campos, literatura, e Ocupação Angeli, também de literatura mas na área das histórias em quadrinhos. Ainda este ano, o homenageado será o dramaturgo Nelson Rodrigues, em cênicas.

Este espaço permite que vários perfis de público tomem contato com a obra destes artistas, e, ainda, que a instituição direcione sua ação educativa para o aprofundamento e a compreensão de seu papel no universo artístico e social. A iniciativa não termina aí. Reafirmando a intenção do Itaú Cultural de também documentar o patrimônio cultural brasileiro, cada exposição gera um profundo e amplo conteúdo para o site. Alguns deles foram desdobrados em documentário, que brevemente será apresentado ao grande público. Reafirmando a sua natural vocação de ser uma plataforma para a geração de conteúdos e manifestações artístico-culturais vindas de todo o Brasil, o Itaú Cultural também aposta nos seus próprios meios de comunicação. Um deles é a revista bimestral Continuum, cujo nome transmite o conceito de continuidade e de circulação de ideias do meio impresso para o eletrônico. Com a recém-lançada edição 36, em abril, com Criolo na capa, a publicação vem apresentando há cinco anos reportagens, artigos, resenhas de especialistas e entrevistas de profissionais das mais diversas expressões artísticas, entre outros atuais ligados às artes.

A proposta é funcionar como mais um ambiente ampliado de difusão e reflexão sobre temas da arte e da cultura brasileira. Além de ser acessada na versão on-line disponível no site do instituto e na versão ipad, a Continuum tem uma tiragem de 10 mil exemplares distribuídos para profissionais e instituições que formam a cena cultural brasileira. Em 2010, a revista recebeu o prêmio de melhor veículo de difusão das artes visuais na mídia pela Associação Brasileira de Críticos de Arte (ABCA).

Em outra frente, o instituto criou e edita a revista Observatório Itaú Cultural, voltada para as discussões em torno da política pública cultural brasileira. Em suas páginas, a publicação traduz e dissemina as discussões, análises e propostas que saem do espaço que lhe dá nome onde especialistas pesquisam e debatem os fenômenos relacionados à gestão cultural. O Observatório Itaú Cultural foi criado em 2006 justamente para debater publicamente e organizar informações que resultem na interação entre cultura, artes, economia e sociedade. A proposta central é incentivar o diálogo constante com pesquisadores, universidades, instituições governamentais na área de produção de dados estatísticos, organizações supranacionais e centros de pesquisa no campo das políticas públicas de cultura.

Um de seus desdobramentos é o curso gratuito de pós-graduação em Gestão Economia e Política Cultural, realizado com a Cátedra Unesco em Gestão Cultural da Universidade de Girona, na Espanha, e apoio da Organização dos Estados Ibero-Americanos. Já na sua primeira edição em 2010, teve ampla adesão e recebemos mais de 2,7 mil inscrições para 35 vagas – em uma proporção de cerca de 80 pessoas concorrendo por um lugar. A relação candidato-vaga alcançada, é muito superior à de outros cursos gratuitos, como medicina na Universidade de São Paulo (34,97 para uma), ou publicidade e propaganda também na USP (40,61 para uma). As inscrições para a segunda edição do curso acabam de ser lançadas.

O site do instituto (www.itaucultural.org.br), que acaba de ser relançado em formato de portal, também é importante ferramenta para aproximar o público cada vez mais de todos os produtos, eventos e reflexões geradas pelo instituto. Só para dar alguns exemplos, além da agenda cultural da instituição, ele aloca as enciclopédias citadas, todo o histórico do Rumos desde a sua criação, transmite as palestras e debates shows e apresentações online, de modo a que o púbico de outras partes do país possa acompanhar a programação simultaneamente, e a Rádio Itaú Cultural na web oferece programas musicais, de literatura e de entrevistas. Em 2011, foram mais de 12 milhões de acessos únicos.

No Centro de Documentação e Referência, ainda, o Itaú Cultural apresenta e oferece para pesquisa local do público, mais de 56 mil títulos entre livros, catálogos de arte, vídeos em DVD e em VHS, recortes de jornais e revistas (hemeroteca, após descarte), títulos de CD-ROM, títulos de CD Áudio, obras de referência (enciclopédias, dicionários, guias, etc.), títulos de periódicos e de teses sobre arte brasileira e políticas culturais. O público presencial já ultrapassou a marca dos 300 mil.

Esta organização trabalha prioritariamente para revelar ao Brasil todos os brasis culturais que habitam nele. Também para sedimentar e documentar o patrimônio artístico nacional, ajudando, ainda, a incrementar as políticas públicas neste setor, organizando e sistematizando as informações e estatísticas geradas pelas diferentes instituições brasileiras de pesquisa.

Auditório Ibirapuera
Em 2011, o Itaú Cultural assumiu, por meio de edital público da Prefeitura Municipal de São Paulo, o Auditório Ibirapuera. Nos próximos cinco anos fará a gestão da casa, no tocante à manutenção deste patrimônio arquitetônico de autoria de Oscar Niemeyer, sua programação artística e as atividades da Escola de Música. De outubro – quando assumiu a gestão deste espaço – a dezembro de 2011 foram realizados 47 apresentações e 36 espetáculos, que reuniram cerca de 50 mil pessoas (veja mais informações no texto dedicado ao tema e publicado neste mesmo espaço).