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Rumos 2015-2016: Guriatã (Boi de Maracanã)

13 de julho de 2017

Por Cassiano Viana

Um dos mais tradicionais grupos de bumba meu boi, no sotaque de matraca, o Boi de Maracanã é tema de documentário em fase de edição no Maranhão. O longa-metragem aborda ainda o mestre Humberto de Maracanã, o Guriatã, amo, cantor e compositor do conjunto, falecido aos 75 anos, em janeiro de 2015. A direção é de Renata Amaral e a produção de André Magalhães, pesquisadores de cultura popular e integrantes do grupo A Barca.

Conhecido como Batalhão de Ouro, o grupo conta com mais de mil integrantes, entre rajados, índias, caboclos reais – que participam dando vida aos personagens secundários na trama do bumba meu boi –, músicos e organizadores, e é um dos dois maiores e mais conhecidos conjuntos tradicionais do estado do Maranhão.

“No Maranhão, o bumba meu boi é um fenômeno sociocultural de enormes proporções”, observa Renata. “O batuque do Bumba Boi da Ilha é de uma força assombrosa. A trupiada – como é chamada a orquestra de centenas de instrumentos, entre matracas, pandeirões, maracás e tambores-onça –, insere o Bumba Boi de Matraca no grupo das grandes orquestras percussivas que marcam nossa música urbana, como as escolas de samba cariocas, os afoxés baianos e os maracatus pernambucanos”, explica.

O documentário foi iniciado em 2010, registrando ensaios e apresentações do grupo. As gravações acompanham toda a temporada junina e os outros momentos do ciclo da brincadeira – o nascimento, o batizado e a morte do Boi, os autos dramáticos, os encontros de Bois de São Pedro e São Marçal, os rituais religiosos e o trabalho dos artesãos na preparação da temporada. Registram ainda os encontros de Humberto de Maracanã com antigos brincantes e mestres de bumba meu boi e outras tradições populares, em entrevistas conduzidas por ele.

“A partir da memória de Humberto – conhecedor de cada detalhe da tradição que guardava –, a história do bumba meu boi na ilha de São Luís pode ser reconstruída de forma luminosa, além das transformações de suas brincadeiras populares e a geografia particular da cidade ao longo de sua ocupação desde a década de 1940”, afirma a pesquisadora.

Essas e outras gravações de arquivo, feitas pela equipe desde 1999, e um grande registro feito em 2014 – os últimos momentos de Humberto de Maracanã à frente do grupo que conduziu por mais de 40 anos –, formam a base do documentário, que apresenta outros registros históricos, como o encontro de Humberto com Pai Euclides Talabyan, da Casa Fanti Ashanti, e Mestre Apolônio, do Boi da Floresta, dois outros ícones da cultura popular maranhense, falecidos recentemente.

Compositor de toadas que exaltam as belezas naturais e a força dos antepassados africanos e indígenas no Maranhão, Humberto de Maracanã teve suas composições gravadas por artistas como Alcione (“Maranhão, Meu Tesouro, Meu Torrão”, no álbum Ouro e Cobre, de 1988) e Maria Bethânia (“A Coroa”, no disco A Cena Muda, de 1974, e no disco Pirata, de 2006). Guriatã teve também duas toadas gravadas por outros artistas maranhenses, como Claudio Pinheiro, Rosa Reis e Roberto Ricci.

Mestre em cultura popular reconhecido pelo Ministério da Cultura, ele também foi apontado como mestre da cultura brasileira no 23º Prêmio da Música Brasileira.

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